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MP aponta prefeito de Ourinhos em escândalo de desvio milionário na Fapi; veja o passo a passo do esquema

 
O Ministério Público ajuizou Ação Civil Pública por improbidade administrativa apontando a existência de um suposto esquema de desvio de finalidade e enriquecimento ilícito na organização da 56ª Feira Agropecuária e Industrial de Ourinhos (FAPI), realizada entre 11 e 15 de junho de 2025. A ação envolve o prefeito Guilherme Andrew Gonçalves da Silva, o secretário municipal de Cultura Jeferson Luís Bento, o secretário-adjunto de Infraestrutura Luiz Roberto Ferreira de Souza Júnior, além da Associação Comercial e Empresarial de Ourinhos, da empresa N.B. Produções Ltda e da Golden Eleven Produções de Eventos Ltda.
 
Segundo a Promotoria, o evento teria sido estruturado de forma a transferir todo o custo ao poder público, enquanto as áreas mais lucrativas — como camarotes e estacionamento — teriam sido exploradas por empresas privadas ligadas a integrantes da própria administração municipal.
 
COMO O ESQUEMA FUNCIONAVA
A denúncia descreve um modelo dividido em etapas. Veja o passo a passo:
 
1-A escolha de uma “entidade parceira” como fachada
 
A Prefeitura abriu um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para selecionar uma entidade sem fins lucrativos que organizaria a FAPI.
 
A escolhida foi a Associação Comercial e Empresarial de Ourinhos (ACE).
 
De acordo com a ação, a entidade não teria expertise técnica nem previsão estatutária para gerir um evento desse porte.
 
Para o MP, a ACE teria funcionado como “biombo jurídico”, permitindo que o evento fosse operado fora das regras tradicionais de licitação.
 
Objetivo apontado: criar aparência de legalidade para uma parceria que, na prática, ocultaria a exploração privada do evento.
 
2-Prefeitura assume todos os custos
 
Segundo a Promotoria:
 
O Município arcou com palco, som, iluminação e segurança.
 
Também assumiu despesas como banheiros químicos e infraestrutura elétrica.
 
Pagou integralmente os cachês dos artistas, que ultrapassaram R$ 1,5 milhão.
 
Entre os shows contratados estavam:
 
Maiara & Maraisa
 
Luan Pereira
 
Israel & Rodolffo
 
Régis Danese
 
Grupo Pixote
 
O MP sustenta que houve contratações com processos formalizados às pressas, alguns dias antes do evento, caracterizando o que chamou de “urgência fabricada”.
 
3-Fracionamento de despesas para evitar licitação
 
Outro ponto central da denúncia é o chamado “fatiamento” de contratos.
 
Em vez de uma única licitação global para toda a infraestrutura, teriam sido feitas diversas dispensas separadas:
 
Banheiros químicos
 
Iluminação
 
Estruturas metálicas
 
Serviços elétricos
 
A Promotoria argumenta que essa fragmentação teria evitado a obrigatoriedade de pregão eletrônico, burlando a Lei nº 14.133/2021.
 
4-Privatização das áreas mais lucrativas
 
Enquanto a Prefeitura custeava o evento, a exploração comercial teria sido delegada:
 
Camarotes
 
Estacionamento
 
Praça de alimentação
 
Segundo a ação:
 
A ACE recebeu formalmente a autorização.
 
A ACE delegou à N.B. Produções.
 
A N.B. Produções subcontratou a Golden Eleven.
 
A Golden Eleven pertence ao secretário-adjunto de Infraestrutura.
 
Esse modelo é descrito pelo MP como “triangulação financeira”.
 
5-Suposto fluxo direto de dinheiro para agente público
 
A Promotoria afirma que:
 
Valores pagos por cidadãos no estacionamento teriam sido transferidos via PIX para contas pessoais do secretário-adjunto e de familiares.
 
Há registro de movimentação financeira entre o agente público e a empresa intermediária na véspera da abertura da feira.
 
Para o MP, isso caracterizaria enriquecimento ilícito e conflito de interesses.
 
O QUE DIZ O MINISTÉRIO PÚBLICO
A ação sustenta que o modelo adotado teria resultado em:
 
Socialização do prejuízo (custos pagos pelo erário);
 
Privatização do lucro (receitas capturadas por empresas ligadas a agente público);
 
Violação aos princípios da moralidade e impessoalidade administrativa.
 
O MP pede, entre outras medidas:
 
Indisponibilidade de bens;
 
Afastamento cautelar de agente público;
 
Quebra de sigilo bancário e fiscal.
 
PRÓXIMOS PASSOS
O caso tramita na Vara Cível da Comarca de Ourinhos. Os acusados ainda serão citados para apresentar defesa. A ação está em fase inicial, e todos os envolvidos têm direito ao contraditório e à ampla defesa.
 
A reportagem seguirá acompanhando o caso e atualizará as informações conforme novos desdobramentos judiciais.
 
O QUE DIZ O PREFEITO
Procurado pela reportagem, o prefeito de Ourinhos Guilherme Gonçalves não se manifestou. O espaço continua aberto.
 

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